A Stellantis, detentora de marcas como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën, definiu sua estratégia central para manter a competitividade no mercado global e, especificamente, na América Latina. Segundo o CEO global da companhia, Antonio Filosa, a nova plataforma modular STLA One será o pilar tecnológico para enfrentar o crescimento acelerado de fabricantes chinesas no setor automotivo.
Resposta estratégica e eficiência industrial
Durante as celebrações dos 50 anos da Fiat no Brasil, Filosa enfatizou que a arquitetura foi desenhada para oferecer uma resposta técnica robusta. O executivo reconheceu que a indústria chinesa construiu uma vantagem competitiva ao longo de duas décadas, apoiada por pesados investimentos em infraestrutura, cadeia de fornecedores e incentivos à demanda. Para a Stellantis, o caminho para equilibrar essa disputa passa pela escala global.
O objetivo do grupo é consolidar sua produção mundial em apenas três plataformas modulares até 2030. Com essa mudança, a empresa projeta:
- Redução de custos de produção de até 20% através da padronização.
- Reaproveitamento de até 70% das peças entre diferentes modelos.
- Redução na complexidade industrial e ciclos de desenvolvimento mais ágeis.
Enquanto o mercado observa movimentações como a de quem Geely ultrapassa BYD, a Stellantis aposta na flexibilidade da STLA One para fabricar desde carros de entrada até utilitários sofisticados. A estreia da plataforma na Europa está programada para 2027.
Versatilidade Multienergia
A plataforma STLA One foi concebida para ser multienergia desde a prancheta. Isso significa que a base será capaz de suportar, sem a necessidade de adaptações estruturais complexas, diversos tipos de propulsão:
- Motores a combustão interna.
- Sistemas híbridos leves (MHEV).
- Híbridos plenos e híbridos plug-in (PHEV).
- Veículos 100% elétricos (BEV).
Em nossa análise editorial, a decisão de unificar a arquitetura permite que marcas distintas, como Jeep e Fiat, compartilhem a mesma tecnologia de eletrificação, alterando apenas o design e a calibração final conforme o perfil do consumidor regional.
Tecnologia e Eletrônica de Ponta
Além da estrutura mecânica, a nova plataforma traz avanços significativos na integração de sistemas. Os veículos baseados na STLA One deverão compartilhar o mesmo computador central e interface gráfica. Outro destaque técnico é a implementação do sistema Steer-By-Wire, uma direção elétrica que elimina a conexão física entre o volante e a caixa de direção.
Para as versões elétricas, a Stellantis optou pela química de baterias LFP (Lítio-Ferro-Fosfato), escolhida pelo menor custo e boa durabilidade. A montagem seguirá o conceito Cell-To-Body, onde as células são integradas diretamente à estrutura do veículo. Além disso, a arquitetura suportará carregadores de até 800 volts, visando tempos de recarga reduzidos, fator essencial para garantir a aceitação de modelos elétricos frente aos concorrentes que já dominam tecnologias similares.
A estratégia da montadora busca, portanto, não apenas reduzir custos, mas modernizar toda a cadeia produtiva, garantindo que suas marcas consigam competir em preço e tecnologia em um cenário de transformação acelerada da mobilidade.
Apareceu primeiro em: https://motor1.uol.com.br/news/802353/competitividade-chineses-stellantis/


