Uma análise técnica recente, realizada pela consultoria Premier Aerodynamics, colocou em xeque a prática de remover os para-barros da Toyota Hilux em busca de maior eficiência energética. Embora a retirada das peças de borracha reduza o arrasto aerodinâmico, o ganho prático é considerado marginal frente aos prejuízos e riscos envolvidos.

O estudo utilizou a ferramenta de dinâmica de fluidos computacional (CFD) OpenFOAM para simular o comportamento de uma unidade da oitava geração da picape rodando a 100 km/h. Os dados indicaram que a presença dos para-barros eleva o coeficiente de arrasto de 0,37 para 0,38. Na prática, a remoção do componente representaria uma economia anual de aproximadamente US$ 70 (cerca de R$ 360), considerando cenários de uso rodoviário.
Por que a mudança não é recomendada
A análise destaca que, embora as abas de borracha interrompam o fluxo de ar, elas são apenas um detalhe em um projeto cuja resistência principal deriva da própria altura elevada do veículo. A suspensão alta gera turbulência significativa ao redor das rodas, fazendo com que o fluxo de ar se desprenda da carroceria logo atrás das rodas dianteiras. Ou seja, retirar o para-barro não soluciona o gargalo aerodinâmico central da picape.

Além da baixa eficácia, há uma questão legal importante. No Brasil, a Resolução 888/2021 do Contran estabelece exigências rigorosas para sistemas antispray e dispositivos protetores de rodas em utilitários e camionetes. A remoção dessas peças deixa o veículo em desacordo com as normas de segurança, aumentando a projeção de pedras, água e sujeira em outros condutores.
Alternativas mais eficazes
O levantamento sugere que, para quem busca otimizar o consumo da picape através da aerodinâmica, existem medidas mais efetivas do que a simples remoção de acessórios:
- Cobertura da caçamba: O uso de capotas, especialmente do tipo fastback com linha inclinada, ajuda a controlar o fluxo de ar sobre a traseira.
- Ajustes de suspensão: Rebaixar levemente o veículo, quando possível, reduz a área de turbulência sob o chassi.
Em nossa análise editorial, vale lembrar que, embora o design da oitava geração apresente elementos puramente estéticos — como arcos de roda pronunciados e colunas A com ângulos acentuados —, a picape demonstra um comportamento aerodinâmico surpreendente em outros pontos, como na zona entre a caixa de roda traseira e a tampa da caçamba, que atua de forma funcional, semelhante a um difusor.
Para quem realiza manutenções básicas no veículo, vale consultar sempre os manuais técnicos. Caso precise lidar com componentes plásticos ou metálicos que requerem lubrificação ou proteção contra umidade, é sempre útil conhecer as aplicações de produtos especializados, como WD-40: a história técnica por trás do nome mais famoso das oficinas, que garante a conservação adequada das peças do sistema de rodagem.
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