A renomada fabricante americana de motocicletas, Harley-Davidson, enfrenta um momento financeiro desafiador no cenário global. A agência de classificação de risco S&P Global Ratings rebaixou a nota de crédito da companhia para o nível “junk” (termo traduzido como “lixo”, que representa o grau especulativo para investimentos). O rating da marca caiu de BBB- para BB+, sinalizando um aumento no risco de crédito para investidores e financiadores.
De acordo com o relatório divulgado pela agência, a desvalorização é reflexo direto da nova estratégia da fabricante de focar em modelos de motocicletas mais baratos para recuperar o volume de vendas. Embora a iniciativa vise atrair novos clientes, a S&P alerta que a medida deve pressionar as margens de lucro da empresa no longo prazo.

O impacto real da nota de crédito no mercado
A nota de crédito funciona como uma avaliação da capacidade de uma instituição de honrar seus compromissos financeiros. Companhias consideradas seguras recebem o selo de “grau de investimento”. Quando uma empresa cai para a categoria de “grau especulativo”, como ocorreu com a Harley-Davidson, o mercado entende que o risco de inadimplência aumentou.
Na prática, essa mudança tende a encarecer a captação de recursos. Para conseguir empréstimos ou atrair compradores para seus títulos de dívida, a Harley-Davidson precisará oferecer taxas de juros mais elevadas, o que impacta diretamente o seu fluxo de caixa.
Queda nas vendas globais e o plano ‘Back to Bricks’
O rebaixamento financeiro foi motivado por resultados comerciais desfavoráveis. Em nossa análise editorial, observamos que a fabricante registrou uma queda de 12% nas vendas de motocicletas em 2025 na comparação com o ano anterior. Contudo, os custos de produção não foram reduzidos na mesma proporção, gerando um descompasso operacional.
Como resposta à crise, a Harley-Davidson lançou o plano estratégico “Back to Bricks”. O projeto prevê a introdução de modelos de entrada mais acessíveis para alcançar novos públicos, além de ações para melhorar a rentabilidade da rede de concessionárias. No entanto, a S&P aponta entraves de curto prazo:
- Motos mais baratas geram margens de lucro menores por unidade vendida;
- Custos elevados com a reestruturação das operações;
- Pressão financeira decorrente de tarifas de importação globais.

Até o momento, apenas a S&P Global Ratings rebaixou a fabricante para o grau especulativo, mantendo a perspectiva futura como “estável”. As agências concorrentes Moody’s e Fitch ainda preservam a marca no grupo de grau de investimento. Em termos de balanço, a Harley-Davidson registrava uma dívida líquida de longo prazo de aproximadamente US$ 1,63 bilhão (cerca de R$ 8,4 bilhões na conversão direta).
Desempenho da Harley-Davidson no mercado brasileiro
No Brasil, a fabricante de motos de alta cilindrada também enfrenta desafios de posicionamento. Dados consolidados pela Fenabrave mostram que o volume de vendas da marca no país despencou mais de 50% ao comparar os nove primeiros meses de 2020 com o mesmo período de 2025. Apesar da forte queda histórica, os anos de 2024 e 2025 apresentaram uma leve reação nos emplacamentos.
Atualmente, a operação brasileira conta com 24 concessionárias autorizadas pela Abraciclo. A marca comercializa sua linha 2026 no país com preços que começam em R$ 119.950. Este desempenho tímido contrasta com o excelente momento do setor de duas rodas no Brasil, que registrou o melhor semestre de sua história com 1,17 milhão de emplacamentos (alta de 14,1%), um crescimento impulsionado quase que totalmente por modelos de baixa cilindrada.
Enquanto marcas tradicionais reestruturam suas linhas para focar em rentabilidade, novos players asiáticos avançam em diferentes continentes, como a BYD Shark chega ao mercado europeu para expandir horizontes em novos segmentos de veículos.
Apareceu primeiro em: https://autopapo.com.br/motos/harley-davidson-e-avaliada-como-lixo-por-agencia-de-negocios-entenda-como-a-marca-chegou-a-esse-ponto/


