A montadora BYD, instalada no complexo de Camaçari, na Bahia, atravessa um momento de instabilidade em suas relações laborais. Menos de dois anos após o escândalo envolvendo condições de trabalho em sua planta, a empresa volta ao centro de discussões por acusações de assédio moral e sexual, além de impasses na campanha salarial de 2026.

Campanha salarial e reivindicações
O Sindicato dos Metalúrgicos apresentou, na última segunda-feira (13), a pauta de reivindicações da categoria. Entre os pedidos principais estão um reajuste salarial de 15% e o aumento do valor do vale-alimentação para R$ 850, além da revisão de custos no plano de saúde. A entidade busca ainda maior autonomia de atuação dentro da unidade fabril.
A gestão da BYD e representantes do sindicato devem iniciar as primeiras rodadas de negociação na próxima semana. O cenário de disputas ocorre paralelamente a um acordo de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), que prevê um montante de até R$ 10 mil por funcionário, condicionado ao atingimento de metas de desempenho e dividido em parcelas para julho deste ano e janeiro de 2027.

Acusações de assédio e interferência policial
Além das pautas financeiras, o sindicato reportou a existência de denúncias formais de assédio moral e sexual. Segundo o presidente da entidade, Júlio Bonfim, os relatos envolvem integrantes da chefia, tanto de origem chinesa quanto brasileira, direcionados a colaboradoras. O sindicato sinaliza que pretende levar o caso ao Ministério Público e avaliar medidas judiciais caso as práticas não sejam sanadas.
O clima de desconfiança foi agravado por um incidente ocorrido na última quinta-feira (9), durante uma assembleia para aprovação da pauta. Segundo o sindicato, a presença de viaturas da Polícia Militar e agentes armados com fuzis no entorno da fábrica teria causado constrangimento e forçado a interrupção da mobilização dos trabalhadores. Há, inclusive, acusações de que a própria montadora teria solicitado a intervenção. A entidade já agendou uma reunião com o Comando da PM baiana para esclarecer o episódio.
Histórico de problemas trabalhistas
A situação atual reacende preocupações sobre o ambiente corporativo da montadora no Brasil. Em dezembro de 2024, uma operação revelou a existência de trabalho em condições precárias envolvendo operários chineses contratados por uma empreiteira no canteiro de obras da fábrica. Na ocasião, foram identificadas jornadas exaustivas, retenção de passaportes e superlotacão nos alojamentos, resultando no resgate de cerca de 220 trabalhadores. É um histórico que, como apuramos, gera constante vigilância sobre as operações industriais na região.
Para entender melhor a evolução das montadoras no Brasil, vale conferir também o conteúdo sobre o Honda Fit: 25 anos do hatch que redefiniu o aproveitamento de espaço, que marcou época pela inovação interna.
Até o fechamento desta reportagem, nem a BYD nem a Polícia Militar da Bahia emitiram comunicados oficiais sobre as denúncias ou os eventos recentes no complexo industrial.
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