A Renault anunciou oficialmente nesta segunda-feira (15/9) que produzirá localmente a tecnologia Renault Hybrid E-Tech 4×4 flex fuel no Brasil a partir de 2027. O investimento, que faz parte de um novo ciclo de R$ 2 bilhões injetados no Complexo Industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), tem como foco a eletrificação de sua gama nacional.
O sistema híbrido estreará no SUV médio Boreal em 2027, utilizando uma solução técnica compartilhada com a Renault Niagara. Diferente da versão europeia do Boreal, que utiliza um sistema híbrido leve (MHEV) apenas a gasolina, a variante brasileira será adaptada para o uso de etanol, mantendo a estratégia da marca de combinar eletrificação com combustíveis renováveis.
Arquitetura técnica e funcionamento
A tecnologia que equipará o Boreal 2027 baseia-se na plataforma modular RGMP (Renault Group Modular Platform). O sistema dispensa conexões mecânicas tradicionais, como cardã ou embreagens, para realizar a tração nas quatro rodas. Em vez disso, o conjunto utiliza o motor 1.3 turbo flex auxiliado por uma arquitetura híbrida de 48 volts.
Principais especificações do sistema elétrico auxiliar:
- Motor elétrico traseiro: 31 cv de potência.
- Torque do sistema elétrico: 8,9 kgfm.
- Bateria: 0,84 kWh.
- Tração: Integral sob demanda (sem necessidade de cardã).
Ajustes no motor e conectividade
Para adequar o veículo às normas mais rígidas de emissões estabelecidas pelo programa PL8, o motor 1.3 turbo passará por um reajuste de calibração. De acordo com os dados técnicos, o propulsor entregará 160 cv com etanol e 156 cv com gasolina. Embora a potência tenha uma variação marginal em relação a versões anteriores, o torque de 27,5 kgfm será mantido integralmente.
Em nossa análise editorial, a estratégia de compartilhar a tecnologia entre o SUV e a picape Niagara no mesmo complexo fabril otimiza custos e agiliza a atualização da linha. Além da mecânica, o Boreal 2027 integrará o sistema multimídia OpenR Link, que contará com a assistente de inteligência artificial Google Gemini. A atualização de software será realizada via OTA (Over The Air), permitindo que o veículo receba melhorias de sistema sem a necessidade de deslocamento a uma concessionária.
Vale ressaltar que a Renault tem investido fortemente na renovação do seu portfólio no Brasil, com foco em SUVs e modelos eletrificados, buscando ampliar sua competitividade frente a concorrentes diretos que já consolidaram presença no mercado, como visto em levantamentos sobre a BYD no Brasil.
O investimento de R$ 2 bilhões reafirma o compromisso do Complexo Ayrton Senna como um hub estratégico para o desenvolvimento de veículos híbridos flex para o mercado latino-americano, reforçando a transição tecnológica da montadora para os próximos anos.
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