A morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, ocorrida em 22 de agosto de 1976, volta ao centro das discussões com o lançamento do livro O Código 12, escrito pelo jornalista Alex Solnik. A obra apresenta uma nova tese sobre o acidente na Via Dutra, sugerindo que o Chevrolet Opala onde JK estava teria sofrido sabotagem durante uma parada estratégica no percurso.

Segundo o autor, o termo que intitula o livro refere-se a uma suposta operação de atentado disfarçado de acidente. O jornalista afirma que o ex-presidente estava em reunião com emissários do então presidente Ernesto Geisel pouco antes do desastre. A tese aponta o Hotel-Fazenda Villa-Forte, no km 160 da rodovia, como um ponto de vigilância ligado ao Serviço Nacional de Informações (SNI).
Três minutos entre o hotel e a tragédia
JK viajava de São Paulo para o Rio de Janeiro quando o veículo, conduzido por Geraldo Ribeiro, atravessou o canteiro central da Dutra e colidiu contra uma carreta. O intervalo entre a saída do hotel e o impacto teria sido de apenas três minutos.
Relatos históricos, incluindo os registrados pelo escritor Carlos Heitor Cony, indicam que o motorista, que possuía conhecimentos de mecânica, teria notado uma irregularidade no carro logo ao retomar a viagem. Em nossas análises editoriais, observamos que essa dúvida técnica do condutor sempre foi um dos pontos centrais que alimentaram as teorias sobre falhas provocadas intencionalmente no sistema do veículo.
Mudança de perspectiva nas investigações
Por décadas, a versão oficial de acidente de trânsito predominou nas instâncias governamentais. Contudo, o cenário jurídico mudou significativamente nos últimos anos:
- Inquérito do MPF (2013-2019): O Ministério Público Federal descartou a hipótese de colisão com um ônibus da Viação Cometa, que servia de base para a teoria oficial anterior.
- Perícia Técnica: O perito Sérgio Ejzenberg realizou um estudo detalhado, composto por mais de 200 páginas, concluindo que o episódio não se tratou de um acidente comum.
- Reconhecimento oficial: Em maio deste ano, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos aprovou um relatório que atribui a morte de JK ao regime militar, abrindo caminho para a retificação das certidões de óbito.
Para quem acompanha a evolução dos transportes e a história da engenharia automotiva, entender as fragilidades técnicas documentadas nessas perícias é fundamental para separar fatos de conjecturas. Assim como discutimos em outras análises sobre o passado e futuro dos automóveis, a manutenção e a integridade de um veículo são os elementos que definem a segurança do passageiro em qualquer cenário.
Com o lançamento da obra de Solnik, o debate sobre o papel das agências de inteligência da época ganha fôlego, apoiado em depoimentos de agentes estrangeiros e documentos que questionam a versão histórica mantida por comissões anteriores, como a da Câmara dos Deputados em 2001 e a Comissão Nacional da Verdade em 2014.
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