O cenário automotivo brasileiro registrou um movimento inédito em setembro de 2026. Pela primeira vez no ano, o volume de veículos produzidos em solo nacional pelas 13 marcas associadas à Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa) superou o número de unidades importadas. Foram emplacados 14.388 carros de fabricação local contra 10.001 importados.

Essa mudança estrutural é impulsionada diretamente pela operação fabril da BYD em Camaçari, na Bahia, que concentra a maior parte da produção nacional do grupo. O desempenho da montadora chinesa é o principal motor dos números da entidade, sendo responsável por 22.218 dos 24.389 emplacamentos totais das associadas em setembro — o que representa 91,1% de participação dentro da organização. O modelo Dolphin Mini foi o grande destaque do período, atingindo a marca de 9.385 unidades vendidas, seu recorde mensal no ano.
Oscilações no mercado de importados e luxo
Enquanto a produção nacional ganha força, o segmento de importados das empresas associadas à Abeifa apresentou retração. Houve uma queda de 28,2% na comparação com agosto e de 17,5% em relação a setembro de 2025. O dado chama a atenção diante de um cenário de alta de 35,3% nas importações no mercado total brasileiro.
O setor de veículos de luxo enfrentou um mês de dificuldades acentuadas. Marcas como Porsche e Volvo registraram queda de volume superior a 50% em comparação ao mesmo mês do ano anterior (50,5% e 50,4%, respectivamente). A Land Rover também recuou, com redução de 24,1% nas vendas. Na contramão desse movimento, a Kia apresentou um crescimento de 38,2%.
Desempenho acumulado e perspectivas
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, as associadas da Abeifa somaram 187.509 unidades emplacadas. O número reflete uma alta de 95,7% frente aos 95.809 veículos registrados no mesmo período de 2025. É importante observar como o mercado automotivo reage a novos fluxos de oferta enquanto lida com pressões macroeconômicas.
A entidade, que detém 9,1% de participação no mercado de automóveis e comerciais leves no mês, mantém uma presença robusta no setor de eletrificados. No acumulado do ano, as associadas são responsáveis por 41,3% das vendas de híbridos e elétricos no Brasil, somando 178.760 unidades de um total de 433.349.
Mesmo diante de um cenário de juros elevados e uma queda mensal de 7,6% nos emplacamentos em relação a agosto, o presidente da Abeifa, Marcelo Godoy, mantém o otimismo. A previsão oficial é encerrar 2026 com 250 mil unidades emplacadas, o que representaria um salto de aproximadamente 82% na comparação com as 137 mil unidades comercializadas em 2025.
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