O mercado de superesportivos vive um momento de transição, e a Ferrari acaba de comprovar que a demanda por eletrificação não é um entrave para o seu público fiel. A marca italiana anunciou que toda a produção prevista para 2026 do Luce, seu primeiro modelo 100% elétrico, foi comercializada apenas dois meses após a apresentação oficial.

Conforme apurado junto ao mercado internacional, a cota limitada de quase 500 unidades foi atingida no início de julho. A China lidera o volume de pedidos, seguida pelos Estados Unidos, mesmo antes de as primeiras unidades serem entregues aos clientes — o que deve ocorrer apenas no último trimestre do ano.
Desempenho comercial versus críticas ao design
O sucesso de vendas do Luce ocorre em meio a um cenário de críticas. Desde a sua revelação, realizada em Roma no dia 25 de maio, o modelo enfrentou ressalvas quanto ao design e à ausência do tradicional motor a combustão. Nomes influentes do meio automotivo italiano, como o ex-presidente Luca di Montezemolo, questionaram a identidade estética do veículo, enquanto figuras políticas como o vice-primeiro-ministro Matteo Salvini chegaram a questionar publicamente o aspecto visual da novidade.
A instabilidade também chegou ao mercado financeiro. Logo após a apresentação, as ações da marca sofreram queda de 8,37% em Milão e 5,3% em Nova York, reflexo de uma cautela de investidores frente às reações mistas. Contudo, a Ferrari conseguiu contornar o cenário e os papéis recuperaram valor nas semanas seguintes, consolidando a confiança na estratégia de eletrificação.

Especificações técnicas e posicionamento
O Luce posiciona-se como um marco na engenharia da Ferrari, trazendo números robustos que justificam seu preço de entrada, fixado em 550 mil euros (aproximadamente R$ 3,2 milhões).
- Motorização: Quatro motores elétricos independentes (um por roda) somando 1.050 cv.
- Desempenho: Aceleração de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos e velocidade máxima superior a 310 km/h.
- Bateria: Capacidade de 122 kWh com arquitetura de 800 volts.
- Recarga: Suporta até 350 kW, atingindo 70 kWh em apenas 20 minutos.
- Autonomia: Estimativa de 530 km no ciclo WLTP.
- Dimensões: 5,026 metros de comprimento e configuração de cinco lugares.

Enquanto a marca segue em seu plano de produzir cerca de 2.500 unidades do Luce até 2030, o foco permanece na exclusividade. O presidente-executivo, Benedetto Vigna, reforçou que não houve necessidade de ofertas especiais para atrair compradores. A primeira unidade produzida, o Chassis 0, será leiloada pela RM Sotheby’s durante a Monterey Car Week, com lances previstos acima de US$ 1,1 milhão (cerca de R$ 5,6 milhões), com verba revertida para fins filantrópicos.
O cenário de eletrificação global segue em transformação acelerada, onde marcas tradicionais buscam equilíbrio, assim como visto em análises sobre a Geely e o mercado chinês, que atualmente demonstram como a demanda por novos propulsores dita o ritmo das fabricantes de luxo.
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