A JAC Motors, uma das marcas chinesas mais longevas no mercado brasileiro, iniciou uma mudança profunda em sua estratégia de operação. Em um movimento de reestruturação, a montadora decidiu encerrar a operação de suas concessionárias físicas tradicionais para concentrar as vendas de veículos no ambiente digital. A única unidade física remanescente está localizada no bairro do Limão, em São Paulo, onde também funciona a sede administrativa e técnica da empresa.
A medida, que reflete a necessidade da marca em se adaptar ao cenário tributário atual para veículos elétricos importados, marca uma ruptura com o modelo de negócio que a empresa adotava desde sua chegada ao país, em 2011.
O fim da rede física tradicional
A reestruturação ficou evidente com o fechamento de concessionárias estratégicas, como a unidade da Avenida Gastão Vidigal, na zona oeste de São Paulo. O local, que antes servia como ponto de referência, encontra-se desativado para vendas e pós-venda. Atualmente, a operação centralizada no bairro do Limão abriga a única concessionária física, call center, escritórios da diretoria e a oficina principal.
Segundo a marca, o atendimento a clientes de outros estados será realizado exclusivamente por canais digitais e atendimento telefônico. A capilaridade da empresa para serviços de pós-venda, revisões e manutenção será mantida através de uma rede de oficinas credenciadas, que totaliza cerca de 150 pontos em todo o território nacional. Diferente das concessionárias, essas oficinas não comercializam veículos novos, atuando estritamente na assistência técnica.
Redução do portfólio e foco na picape Hunter
Acompanhando a mudança na estrutura de vendas, a JAC Motors simplificou sua linha de produtos. Os SUVs elétricos E-JS4 e o sedã E-J7 foram retirados do mercado. O catálogo atual foca em dois pilares principais:
- JAC E-JS1: O subcompacto elétrico permanece no mercado, com preço tabelado em R$ 119.900. O modelo, que compete no segmento urbano, é vendido sob encomenda.
- JAC Hunter: A picape média a diesel tornou-se o principal produto da marca, ganhando destaque com versões voltadas ao trabalho (4Work) e configurações mais equipadas (HD e HDX).
A Hunter, que marca o retorno da montadora aos motores a combustão, é equipada com um motor 2.0 turbodiesel de 191 cv e 46 kgfm de torque. O modelo oferece variantes com câmbio automático ZF de oito marchas e sistemas de tração 4×4. Para entender como o mercado de picapes evolui, vale conferir nossa análise sobre a Fiat Toro Volcano MHEV 2027.
Tabela de Preços e Especificações da Hunter 4Work
| Versão | Preço Sugerido (R$) |
|---|---|
| 4Work Manual | 219.900 |
| 4Work Automática | 239.900 |
| HD | 259.900 |
| HDX | 264.900 |
Adequação à Lei Ferrari
A transição para um modelo de vendas predominantemente digital levanta questionamentos sobre a conformidade com a Lei Ferrari (Lei nº 6.729/1979). Segundo Nicolas Habib, COO da operação brasileira, o formato adotado está dentro dos limites da legislação vigente. Juridicamente, a JAC separa a função de concessionária (a unidade do Limão, autorizada a vender novos) dos serviços autorizados (as oficinas credenciadas, proibidas de comercializar veículos zero km), respeitando a distinção estabelecida pelo artigo 28 da referida lei.
Embora a marca negue a saída do Brasil e afirme estudar novos lançamentos, o futuro da JAC depende diretamente da competitividade frente ao avanço de rivais chinesas que operam com escala e produção local. Por enquanto, a empresa aposta na eficiência operacional do atendimento remoto e no volume da picape Hunter para sustentar sua presença no país.
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