O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, em reunião realizada no dia 22 de julho com executivos da Stellantis em Brasília, a necessidade estratégica de aumentar a participação do Brasil no mercado externo de veículos. O foco do governo está voltado para a ampliação das vendas para a América Latina e o continente africano, acompanhando a retomada do consumo no mercado interno, que projeta atingir a marca de 3 milhões de unidades vendidas em 2026.

Durante o encontro com o CEO global da Stellantis, Antonio Filosa, e o presidente da companhia para a América do Sul, Herlander Zola, o presidente brasileiro reforçou a disponibilidade do governo em auxiliar a indústria a remover barreiras tarifárias e logísticas. O objetivo é reverter um cenário comercial desafiador.
Queda nas exportações e balança comercial
A iniciativa governamental ocorre em um momento crítico para a balança comercial automotiva. Dados da Anfavea indicam que as exportações brasileiras sofreram uma retração de 21,2% no primeiro semestre de 2026, totalizando 216,6 mil unidades enviadas ao exterior. A projeção anual da entidade para as exportações foi revista de uma alta de 1,5% para uma queda de 12,8%.
A Argentina, principal parceira comercial do Brasil no setor, registrou uma diminuição significativa na demanda por veículos brasileiros, comprando cerca de 60 mil unidades a menos no período. Fatores como a instabilidade econômica no país vizinho e o avanço da concorrência de modelos chineses e mexicanos foram determinantes para esse resultado.
Por outro lado, o volume de importados que chegam ao Brasil apresentou crescimento expressivo. Foram 280,6 mil veículos emplacados entre janeiro e junho, com metade desse montante originário da China. Esse movimento resultou em um déficit na balança comercial do setor, com um saldo negativo de aproximadamente 63 mil veículos.

Investimentos e geração de empregos na Stellantis
A agenda com a presidência da República também serviu para reafirmar o cronograma de investimentos da Stellantis no país. A montadora mantém o compromisso de aplicar R$ 30 bilhões até 2030, incluindo o desenvolvimento de modelos como o Fiat Argo X, em Betim (MG), e o Jeep Avenger, em Porto Real (RJ). Sobre o cenário competitivo, é válido lembrar que o setor elétrico tem demandado novas estratégias das fabricantes locais.
O plano de expansão da companhia prevê a abertura de 2 mil vagas de emprego diretas em 2026, sendo 1,5 mil em Minas Gerais e 500 no Rio de Janeiro. A medida permitiu a implementação de um terceiro turno na unidade de Betim e um segundo turno em Porto Real. Segundo a empresa, somando toda a cadeia de suprimentos, a estimativa é de 20 mil novos postos de trabalho gerados no ano.
A Stellantis destacou ainda o alto índice de nacionalização de seus produtos. Segundo Antonio Filosa, 95% do que é produzido pela montadora no Brasil utiliza insumos locais — incluindo componentes estruturais como aço e plástico, além de motores e transmissões — movimentando mais de R$ 60 bilhões anuais em sua rede de fornecedores nacionais.
Apareceu primeiro em: https://autopapo.com.br/curta/lula-quer-exportar-mais-carros-mas-exportacoes-do-brasil-caem-212-no-ano/


