Proprietários de modelos esportivos da Mercedes-AMG nos Estados Unidos iniciaram uma ação coletiva contra a montadora alemã após relatarem queimaduras provocadas pelo emblema metálico localizado na parte superior dos bancos esportivos. O processo, protocolado em 5 de agosto no Tribunal Distrital dos Estados Unidos, na Califórnia, alega que o logotipo em relevo atinge temperaturas elevadas quando o veículo permanece exposto ao sol, resultando em lesões físicas aos ocupantes.
Defeito de projeto e riscos à segurança
A ação judicial foi movida por Gabriel Lahijani e Karendeep Bath, que descrevem o componente como um defeito de projeto perigoso. Segundo os autores, o emblema está posicionado estrategicamente na área de contato direto com as costas, ombros ou pescoço do motorista, tornando-o um risco constante durante períodos de calor intenso.
No caso de Lahijani, proprietário de um Mercedes-AMG Classe E 2026, o incidente ocorreu no dia 31 de maio. Ao entrar no veículo vestindo uma regata, o motorista sofreu queimaduras nas costas. Um dermatologista atestou lesões de primeiro e segundo graus, caracterizando que a marca deixada na pele reproduzia exatamente o desenho das três letras do logotipo da AMG.
Semanas depois, a coautora da ação, Karendeep Bath, relatou uma experiência similar. Após estacionar seu veículo em Los Angeles, ao retornar e acomodar-se no banco, sentiu o ombro queimar instantaneamente. Nos dias subsequentes, a marca do logotipo tornou-se visível e escurecida na pele, confirmando a queimadura térmica por contato direto com a peça metálica.
Pedidos dos proprietários na Justiça
A ação coletiva busca reparação por danos morais, sofrimento, dor e o reembolso de todas as despesas médicas decorrentes das queimaduras. Além disso, os demandantes exigem que a Mercedes-Benz dos EUA assuma a responsabilidade pela modificação ou remoção definitiva do emblema metálico em todos os veículos afetados, visando evitar novos incidentes.
Até o momento, a Mercedes-Benz USA não se manifestou publicamente sobre o caso. A legislação americana de responsabilidade civil dita que caberá ao tribunal avaliar se o produto apresentava uma condição de perigo superior à expectativa do consumidor comum e se os benefícios do design da peça justificam o risco à integridade física dos ocupantes.
Este caso ganha destaque em um cenário onde a sofisticação tecnológica e o design interior buscam oferecer uma experiência premium, mas esbarram em questões de usabilidade. Para entusiastas que acompanham o mercado automotivo global, a situação reforça a importância de testes de materiais em condições extremas antes da homologação final de componentes internos.
O processo ainda aguarda a decisão judicial sobre o reconhecimento da classe de proprietários afetados, o que pode ampliar o escopo da demanda dependendo da quantidade de modelos e unidades que compartilham o mesmo desenho de assento.
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