O BYD Atto 2, modelo que já acumula expectativa no mercado nacional com preços iniciais de R$ 149.990, teve seu conjunto mecânico avaliado pela equipe do Motor1.com Italia. Embora a versão comercializada na Europa utilize um motor a gasolina, a arquitetura híbrida plug-in é a mesma que equipará o modelo flex no Brasil, oferecendo um parâmetro real sobre o comportamento do futuro lançamento.
Posicionado estrategicamente para rivalizar com nomes consolidados como Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta e Chevrolet Tracker, o SUV aposta em uma carroceria de 4,33 metros com linhas verticais para maximizar o habitáculo. Em nossa análise editorial, observamos que a estratégia da BYD busca equilibrar a tecnologia de eletrificação avançada com o espaço interno de um utilitário familiar, um caminho similar ao que já discutimos sobre a nova geração do Jeep Compass.
Espaço interno e acabamento
Um dos pontos de destaque na avaliação europeia foi a ergonomia. O habitáculo surpreende pela amplitude, acomodando com conforto passageiros com mais de 1,90 metro de altura no banco traseiro, beneficiado pelo piso plano. O porta-malas, com capacidade de 425 litros, conta com piso ajustável em dois níveis, garantindo versatilidade para o uso diário.
Quanto à qualidade percebida, o modelo utiliza materiais macios em pontos de toque frequente, posicionando o acabamento em um patamar superior à média do segmento de SUVs compactos.
Desempenho e eficiência do conjunto DM-i
O sistema híbrido combina um propulsor 1.5 de quatro cilindros a um motor elétrico, entregando aproximadamente 210 cv de potência combinada. A bateria de 18 kWh possui uma gestão inteligente que mantém 25% de carga como reserva, permitindo que o motor elétrico atue constantemente, mesmo quando o nível está baixo.
- Modo elétrico puro: Cerca de 90 km de autonomia.
- Consumo médio (urbano): Aproximadamente 25 km/l.
- Consumo médio (estrada): Cerca de 23 km/l.
- Autoestrada: Pouco menos de 13 km/l.
É importante ressaltar que, no Brasil, o modelo contará com a tecnologia Flex, permitindo o uso de etanol, o que deve exigir uma recalibração específica. Mesmo assim, os testes internacionais confirmam que a arquitetura da BYD preserva a eficiência mesmo após o esgotamento da carga primária da bateria.
Pontos de melhoria identificados
Apesar da robustez do conjunto, a avaliação apontou aspectos que podem receber ajustes para o perfil do motorista brasileiro:
Direção: Apresenta excesso de leveza em altas velocidades, o que pode exigir correções constantes em trajetórias rodoviárias.
Frenagem: A transição entre o sistema regenerativo e os freios mecânicos carece de maior naturalidade, sendo perceptível ao condutor.
Suspensão: O foco total no conforto resulta em uma absorção eficiente de irregularidades, mas gera uma oscilação perceptível da carroceria em curvas acentuadas feitas em ritmo elevado.
Posicionamento no Brasil
A BYD iniciou a pré-venda do Atto 2 no mercado nacional com duas variantes: a versão GL por R$ 149.990 e a GS por R$ 169.990. A montadora busca repetir o sucesso comercial do Dolphin e do Song Pro, este último sendo o primeiro híbrido flex da marca a desembarcar efetivamente no país.
O sucesso do Atto 2 no Brasil dependerá da entrega desse equilíbrio entre eficiência e conforto, em um segmento onde a racionalidade na compra costuma superar a busca por desempenho esportivo. Com a chegada próxima, resta verificar como o ajuste para o motor flex impactará a dinâmica de condução em solo brasileiro.
Apareceu primeiro em: https://motor1.uol.com.br/reviews/803481/byd-atto-2-pontos-fortes-fracos/


